Como escolher um professor de violão?

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Ao longo da minha vivência musical, tive o privilégio de ser aluno dos principais professores de violão do país. Por ter a nítida percepção de o quanto isso foi determinante em minha evolução como músico (e até mesmo como professor), considero o momento da escolha do mentor um dos mais importantes da vida musical de alguém. Tendo isso em mente, e levando em conta as inúmeras histórias sobre frustrações que poderiam ser evitadas quando se trata disso, decidi escrever sobre o assunto.

Antes de começar, uma bela homenagem musical ao professor de violão. Nesse terreno, não conheço música mais bonita que o “Choro Chorado pra Paulinho Nogueira”, música de Toquinho, Paulinho Nogueira e Vinícius de Moraes.

Na hora de escolhermos um produto ou serviço, um ser humano racional tende a pensar em três coisas básicas: conseguir o melhor serviço possível, da maneira mais fácil possível e pelo menor preço possível. É um cálculo econômico quase intuitivo e que não está errado. O problema é que serviços ligados à educação envolvem riscos e custos que muitas vezes são imperceptíveis no momento da contratação, tornando-se evidentes apenas no médio e longo prazos.
Imagine que você irá contratar um professor para lhe ensinar matemática, mas que domina pouco a matéria. Como você mesmo não domina o assunto, passará algum tempo antes que você perceba que não está aprendendo o quanto gostaria, ou, na pior das hipóteses, que está sendo enrolado.

Com o serviço de ensino de música não é diferente. Por mais que preço e proximidade/comodidade sejam fatores importantes, em especial nas grandes cidades, é necessário ter certos cuidados na hora de contratar um professor, em especial se o aluno for uma criança.

Como identificar um bom professor de violão?

Referências
Procure informações sobre o professor por fontes imparciais. Tente contactar locais onde ele já trabalhou, ex-alunos, matérias de jornal, programas de tv ou o que estiver à sua disposição. Isso lhe dará mais segurança a respeito da idoneidade do profissional. Esse cuidado deve ser triplicado se o aluno for uma criança.

Formação
Procure conhecer o histórico da formação do professor. Com quais professores ele estudou, em quais escolas, se tem graduação numa faculdade de música (o que não é essencial para um bom profissional), etc.

Adequação aos seus objetivos
Procure conversar com o professor a respeito do que você pretende com o estudo de música e certifique-se de que o profissional pode atender a estes objetivos. Por exemplo, se você pretende aprender a tocar rock’n’roll, de nada adiantará estudar com o melhor professor de violão clássico do país, caso este não saiba ensinar o que você pretende.
É comum, conforme o aluno evolui nos estudos, despertar o interesse por coisas diferentes das que se desejava no início. Neste caso, informe ao professor seus novos objetivos e veja se o profissional ainda pode atendê-los. Caso contrário, peça recomendações sobre outros músicos.

Converse pessoalmente (ou por Skype) antes de decidir
É muito comum os profissionais oferecerem aulas demonstrativas ou agendarem uma conversa, sem compromisso, antes de iniciar efetivamente as aulas. É neste momento que você deve fazer todas as perguntas que vierem à sua mente. Não pense que você está sendo incômodo: para os professores, nada melhor do que entender bem quais os desejos do aluno antes de iniciarem as aulas. Se o profissional que você procurar não oferecer isto, peça! A não ser que você tenha excelentes recomendações de pessoas de sua confiança, essa conversa é crucial para a decisão.

Cuidado com impressões isoladas
Apesar de ser importante termos referências a respeito dos professores, nem sempre uma experiência negativa de outra pessoa significa que a sua também será. O ensino de música é uma relação entre dois indivíduos, professor e aluno, e nem sempre ela deixa de funcionar por conta exclusivamente do professor. Bom senso na hora de julgar é importante.
Meu professor favorito ao longo da faculdade de Composição que cursei era, também, o mais criticado e perseguido pela maioria dos alunos. Além de desrespeitoso, as críticas mostravam-se infundadas na maior parte das vezes, e pude perceber que se baseavam em desavenças pessoais, não em avaliações sobre méritos profissionais. Não se deixe influenciar por pessoas assim! Ainda que seja ótimo desenvolver uma relação de amizade com o professor, a sua prioridade é aprender música, e não arrumar um amigo.

Mitos sobre professores de música
Alguns assuntos sobre música dão margem a muitas lendas e o tema aqui tratado é terreno fértil para isso. Veja a seguir algumas delas que podem prejudicar sua avaliação:

“O professor de música precisa tocar mais de um instrumento.” Não! Isso não diz nada sobre sua qualidade ao ensinar o instrumento que você escolheu, nem sequer garante que ele seja competente em todos os instrumentos que ele diz tocar.

“Quem toca bem um instrumento é automaticamente um bom professor.” Nem sempre! Apesar de pouco comum, existem professores de música que praticamente abandonam seus instrumentos para se dedicar exclusivamente ao ensino. Isso não é demérito, mas uma opção pessoal. O principal exemplo disso é Henrique Pinto, o maior professor de violão clássico que o Brasil já teve, falecido em 2010, e que praticamente não tocava violão ao final de sua carreira (apesar de ter tocado muito bem quando jovem).
O outro lado da história também é verdade: nem sempre quem é um grande instrumentista é bom professor. Muitas vezes, grandes músicos não têm a paciência e o prazer necessários para ensinar com qualidade.

“Escolas de música são melhores do que aulas particulares.” Na verdade, é praticamente o oposto. Apesar de haver exceções (grandes escolas de música com excelentes professores), em geral os melhores professores de música não dão aulas em escolas de música, por uma razão simples de entender: escolas de música tendem a pagar menos do que aulas particulares. (uma parte da mensalidade fica com a escola, outra é para remunerar funcionários – como secretárias-, gastos como aluguel, etc.)
Por isso, não se deixe iludir por uma fachada bonita de escola, pois o fator crucial para seu aprendizado será o professor.


Comments

Como escolher um professor de violão? — 3 Comments

    • Bene, minhas aulas online são em tempo real, via Skype. Os resultados têm sido ótimos. A contínua evolução tecnológica tem permitido maior acesso a bons equipamentos e conexões mais rápidas de internet. Com isso, o aproveitamento das aulas via Skype é praticamente o mesmo das aulas presenciais.
      A exceção que sempre comento é a aula de violão clássico, que perde quando o assunto é aprimoramento da sonoridade.

  1. Pingback: Aulas de violão via Skype | André Priedols

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